1# EDITORIAL 28.1.15

"O CUSTO DO POPULISMO COM A ENERGIA"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Um desastre! Assim pode ser definida a poltica energtica brasileira nos ltimos anos. Algo inconcebvel em um pas com um amplo leque de opes naturais e cuja presidente ocupou, ela mesma, a pasta de Minas e Energia antes de assumir o comando da Nao. Em seu segundo mandato, ainda em ritmo de largada, fica exposto o tamanho dos erros de gesto cometidos nessa rea.  de sua lavra e autorizao o processo que redundou no atual estgio de risco de apages em srie. Barbeiragens grosseiras ocorreram no planejamento, na execuo de obras, no financiamento do sistema e, principalmente, na poltica de preos ao consumidor, que agora vai pagar uma conta alm do razovel. Por meses a fio, esperando a reconduo de Dilma ao poder, uma grande encenao foi montada. Maquiou-se a realidade. A comear pelo populismo tarifrio, com claro intuito eleitoral, que levou o brasileiro a se iludir com a lorota de que aqui a luz era abundante, nunca faltaria e poderia custar mais barato. Um desconto generoso de 20% foi concedido pelo governo aos usurios. Durou pouco. Empresas geradoras e distribuidoras quase quebraram. Estranguladas, se endividaram ainda mais.

O rombo, hoje estimado em R$ 60 bilhes, ter de ser quitado via reajustes nas contas de luz. Calcula-se que o aumento supere os 30% neste ano, muito acima da inflao e da reposio de renda do trabalhador. E o racionamento no est descartado, embora venha sendo negado com veemncia. Na verdade, j ocorreu por determinao aberta do operador nacional do sistema, que na ltima segunda-feira 19 decidiu levar dez Estados da Federao mais a Capital Federal s escuras para evitar o colapso da rede. No limite de sua oferta, o Pas tem que importar energia da Argentina. Faz parte de um plano de emergncia. Tivesse obedecido ao cronograma que prometeu de expanso da capacidade, talvez nada disso fosse necessrio. Mas recursos destinados  rea foram estancados. Cerca de 30% dos empreendimentos considerados vitais para o suporte da malha deixaram de ser feitos. O atraso nas obras em andamento chega aos quatro anos, devido a adiamentos sucessivos, tanto de usinas (hidreltricas, trmicas, etc.) como de linhas de transmisso, que comprometeram seriamente a rede instalada. Um misto de descaso e excesso de confiana trouxe a tempestade perfeita.

